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Casos de HIV tem Aumento de 21% no Brasil

Aumento nos casos de HIV no Brasil

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Dezembro Vermelho – Mês de Prevenção ao HIV

Durante muito tempo, o Brasil celebrou vitórias na luta contra o vírus da aids. Mas nos últimos anos cresceu o número de novas infecções. Para especialistas, menos campanhas e conservadorismo estão ligados à alta.

 

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi por muito tempo considerado modelo na luta contra a epidemia de HIV/aids. Desde 1996 o Estado brasileiro garante a tratamento gratuito dos pacientes nos hospitais públicos, assim como o fornecimento de coquetéis de medicamentos.

Desde então, a expectativa de vida após um contágio com HIV subiu de cinco para 12 anos. O Ministério da Saúde estima que atualmente cerca de 866 mil brasileiros sejam soropositivos, dos quais mais de 500 mil recebem acompanhamento clínico pelo SUS.

No entanto, nos últimos tempos o número das novas infecções pelo vírus voltou a crescer, segundo um estudo da Unaids, o programa das Nações Unidas para combate à HIV/aids, criado em 1994. Se em 2010 houve 44 mil novas infecções por HIV no Brasil, em 2018 elas chegaram a 53 mil: um acréscimo de 21%, muito superior ao aumento médio em toda a América Latina, de 7%. O que está dando errado no Brasil?

“Atrás disso está um baixo número de ações de prevenção nos últimos anos no país”, afirma à DW Veriano Terto Jr., vice-presidente da Associação Interdisciplinar de Aids (Abia). Tanto o governo federal como as autoridades locais reduziram drasticamente suas campanhas públicas.

“Houve simplesmente um silenciamento sobre a aids, um descaso, um relaxamento por parte dos governos como também por parte de escolas, na questão da prevenção”, diz.

Para a especialista em aids Wilza Villela, além de uma redução das campanhas de conscientização, o aumento do número de casos também está ligado ao conservadorismo. “Os governos precisaram fazer concessões às forças conservadores, para garantir a governabilidade”, aponta a médica e psiquiatra.

Segundo a especialista, sempre houve nas escolas resistência às aulas de educação sexual e ao esclarecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis, mas antes a pressão por parte das autoridades era maior. Nos últimos anos, fortaleceu-se a resistência contra a distribuição de preservativos nas escolas, com os docentes mostrando disposição sempre menor de colaborar, afirma.

“Os programas nas escolas ficaram muito esvaziados, porque você não tem uma pressão de política pública para isso”, diz Villela.

Fim da cooperação com a sociedade civil

Com a início da crise econômica e financeira a partir de 2013, além disso, o Tesouro não cortou apenas as verbas para as campanhas de educação, como também suspendeu a cooperação com a sociedade civil. Até então, as ONGs eram a espinha dorsal das campanhas contra a aids. Em vez disso, a responsabilidade pelo esclarecimento foi entregue ao SUS.

Resistência ao uso de camisinha

Outra tendência é a resistência crescente ao uso de preservativos. As autoridades até distribuíram cerca de 100 milhões deles só no Carnaval, porém uma pesquisa de 2018 demonstrou que, entre os jovens, o uso de camisinhas vem diminuindo, tanto na primeira relação sexual com alguém, como no sexo com um parceiro fixo.

Estigma como obstáculo

Ao mesmo tempo, muitos seguem acreditando que só os grupos de risco clássicos estão ameaçados. “O estigma continua sendo o maior obstáculo para a prevenção e o tratamento da aids no Brasil. Ainda temos uma taxa de diagnóstico tardio muito alta, por volta de mais de 30%. Isso é muito para um país com acesso universal aos medicamentos. O estigma afasta as pessoas de um diagnóstico mais precoce.” Muitos pacientes só descobrem que estão infectados quando começam os sintomas.

Quando questionado se o Brasil segue sendo um exemplo global na luta contra a doença, Terto afirma: “O Brasil não é mais um modelo. Temos boas experiências que deveriam ser mantidas. O Brasil mostrou que um país em desenvolvimento e com vontade e visão política pode fazer um programa de acesso universal e derrubar a taxa de mortalidade.” Nos últimos anos, entretanto, faltou o apoio tanto dos governos locais quanto das agências internacionais para a aids, diz.

Fonte: Grupo Saúde Brasil

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